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QUARTETO FANTÁSTICO: PRIMEIROS PASSOS

É a quinta adaptação cinematográfica da primeira família da Marvel Comics. E depois de quatro tentativas não tão agradáveis, muito menos que fizessem jus ao peso da equipe dos quadrinhos, a pergunta que fica é: dessa vez deu certo?

Bom, não é novidade para ninguém que a Marvel Studios é a grande responsável pelo fordismo dentro da indústria do entretenimento. Suas produções, por mais que algumas delas tenham diretores renomados e premiados, visam o lucro acima de tudo e pouco se preocupa com a arte em si. Após dez anos seguindo esse modelo, a crítica especializada finalmente conseguiu abrir os olhos do público que se cansou da fórmula Marvel, afetando diretamente no desempenho dessas produções nas salas de cinema. A nova promessa da Disney e Marvel Studios é priorizar boas histórias, qualidade acima de quantidade e Quarteto Fantástico: Primeiros Passos seria o fruto dessa nova empreitada.

Começo dizendo que é um filme excelente e é um alívio saber que ele é anos luz superior as outras adaptações do Quarteto Fantástico. Obviamente ele não é perfeito, por principalmente ter um grande potencial, mas se conter muito,  além do que deveria. O longa também parece ter vergonha de ser da Marvel Studios, o que não é um ponto negativo, dado ao histórico decadente dos últimos anos, mas sim sendo um dos seus pontos mais fortes. 

É um filme que te acolhe desde os primeiros minutos, porque ele vai de uma escala descomunal até o nível mais íntimo e pessoal sem que você perceba, te conectando com os personagens e com algumas situações que os envolve. E isso é um mérito de uma direção segura e consistente do Matt Shakman, que é um novato, tendo esse filme como o segundo do seu currículo, depois de Cut Bank. Porém, ele não é um novato em produções para a TV, tendo dirigido todos os episódios da elogiada série WANDAVISION e anos antes também dirigiu dois episódios de Game OfThrones. 

De início já adianto que o filme é um deleite para quem gosta de ficção científica. O segundo ato poderia facilmente ser um episódio da série clássica de Star Trek,ou Doctor Who, sendo muito bem executado. São sequências deslumbrantes com um nível de gigantismo que preenche os olhos, somado a um suspense visceral, uma sensação de assombro, de temor… definitivamente, um sci-fi clássico.

O filme tenta te convencer a não se desconectar com a história contada, principalmente com a forma como os personagens são dirigidos ao longo da narrativa. O foco, pela primeira vez, são os quatro membros da equipe, com a dinâmica entre eles sendo satisfatória, orgânica e muito bem construída. Isso se deve muito as atuações e a química entre os membros do elenco.

As sequências de ação são na medida certa, equilibradas, sem exageros. Os efeitos especiais são muito bem feitos e, de novo, é um deleite aos olhos de quem ama ficção científica. Por exemplo, a primeira vez que o vilão GALACTUS aparece, o Matt Shakman consegue passar tão bem a ideia de uma criatura descomunal, de uma força além de qualquer tipo de escala e compreensão, que você se sente minúsculo assim como os protagonistas diante de um ser tão extraordinário.

A ambientação retrofuturista, do começo dos anos 60, também ajudou muito na concepção de uma atmosfera nova e diferente. Desatrelar esse filme do resto do MCU foi a melhor escolha que poderiam ter feito, porque graças a isso, há uma liberdade quase infinita de contar essa história, sem precisar se preocupar com conexões inúteis, ou personagens com participações especiais. Isso permitiu também que a trama fosse para um campo de completa incerteza. Você se mantém com uma tensão pairando todo tempo, se perguntando se a equipe vai ou conseguir resolver situações impostas a eles ao longo do filme e a dúvida persiste até o último segundo.

Aqui eles mantém um equilíbrio preciso entre tonalidade e narrativa. Há um sentimento sombrio de dúvida, deincomodo e de urgência que te acompanha do começo ao fim, sem piadinhas de escape para alívio cômico. Não é uma obra revolucionária, ou inovadora e na verdade, ele joga no seguro. Falta um pouco mais de coragem no desfecho final, mas é um filme redondo, direto, objetivo e bastante cativante.

O elenco é a melhor parte de tudo. Ebon Moss-Bachrach como Coisa é interessante e  bastante subjetivo. O Johnny Storm do Joseph Quinn é o melhor Tocha Humana e difere completamente do bobo da corte lá da versão do Chris Evans de 2005 e 2007. O Pedro Pascal é muito carismático, mas o Reed Richards dele não parece o personagem de fato, mas sim um Pedro Pascal com uniforme de super herói e creio que isso não seja tão positivo assim. O longa nos deu a honra de ver mais uma vez em tela a incrível Vanessa Kirby como Susan Storm e sinceramente? Apesar da Jéssica Alba, também dos filmes de 2005 e 2007 ser uma boa mulher invisível, a Vanessa é sensacional. Além de ser a melhor performance não só desse filme, mas facilmente de boa parte das produções da Marvel Studios. A Vanessa move a trama, fazendo da Susan, o coração e a alma do filme. Galactus, vilão interpretado pelo ator Ralph Ineson é algo além da nossa compreensão, um ser anterior a existência do nosso universo e realidade, incompreensível para nós e isso é explicação o suficiente até o presente momento.

A maior falha desse filme é com a personagem da Juliane Garner. Shalla-Bal, a Surfista Prateada, com certeza, é o maior desperdício desse filme. É uma personagem incrível, mas com um desenvolvimento praticamente inexistente. As aparições dela em tela tem uma presença muito forte, pesada e facilmente intimidadora, o que dá uma vontade de saber mais dela e sobre ela. Por mais que o filme apresente um flashback sobre o passado de Shalla-Bal, é algo rápido e que deixa um gostinho de quero mais.

No fim, em um universo com seres que estão acima da existência de deuses cósmicos, mundos utópicos, com muito retrofuturismo e elementos fantásticos, viagens em buracos de minhoca e uma surfista espacial, o segredo foi firmar tudo isso na humanidade não só do Quarteto, mas de todos os personagens presentes no longa. Afinal, Quarteto Fantástico é, acima de tudo, sobre família. 

Todas as fotos utilizadas nesse post são de direitos e créditos da Disney/Marvel Studios.

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