Bring Her Back é o novo filme de terror australiano, dirigido pelos gêmeos Danny e Michael Philippou. O filme é estrelado pelo talentosíssimo Jonah Wren Phillips, Billy Barrat, Sora Wong e Sally Hawkins. A trama acompanha dois meio-irmãos que se tornam órfãos, tem de lidar com o luto e são adotados por uma excêntrica assistente social.

Nessa obra o interesse dos gêmeos Philippou é trabalhar e colocar em discussão o luto maternal de forma crua e de uma brutalidade sem igual. Luto esse que se torna uma obsessão, que se torna uma loucura desenfreada. Brutalidade essa, que não tem limites.
Esse é um filme de terror diferente. Com tantos filmes de terror que trabalham o luto, que a transformação pro terror, normalmente cai na mesmice de seguir o clichê no sobrenatural com assombrações, invocações, exorcismos e sustos gratuitos, BRING HER BACK, se difere de tudo isso com facilidade e personalidade. Para além de trabalhar os estágios do luto praticamente sem filtro algum, há uma análise das vulnerabilidades dos personagens da trama, como as dificuldades da personagem com baixa visão, outro personagem com aspectos emocionais que plantam dúvidas em quem está assistindo o longa e algumas presenças estranhas, mas que claramente são importantes no desenrolar de todo plot.

São essas e outras ferramentas usadas pelos gêmeos que levam aos extremos do luto, que transformam o filme de um complexo drama e laço emocional para um terror perturbador, sem piedade quando se trata de brutalidade, com passagens pesadas e sem medo algum de provocar. A ambição dos gêmeos Philippou fica clara quando eles não recorrem unicamente a violência, gore ou body horror e usam a ambientação pesadíssima que é a casa, novo lar adotivo dos meio-irmãos órfãos. É um espaço de extremo desconforto do início ao fim e a fotografia faz questão que você perceba isso. Esse desconforto se reflete em todos os personagens que passam por ali. A trilha é muito pontual e som é usado de forma muito diferente e perspicaz na construção do medo.

É também através dessa reunião de personagens quebrados, com suas dores, tristezas e lamentos em um único espaço extremamente desconfortável, bagunçado e opressor, que o terror vai surgindo aos poucos e de maneira orgânica. Diria que o terror desse filme é até mesmo poético. A construção de absolutamente tudo nesse longa, é uma evolução muito positiva de TALK TO ME (2022).
Esse filme não é sobre o que acontece, mas sobre como e porque acontece. E dentro desse como acontece, os diretores servem muita criatividade e com isso, concebem uma obra visualmente interessante, muito bonita e perturbadora. os Philippou te manipulam de uma forma, que você assiste o filme genuinamente temendo pelos personagens, onde até nos poucos momentos bons, de alívio e respiro, você lamenta justamente por saber que provavelmente vai acabar logo e o tormento volta a ser uma presença constante.

O texto é ótimo, muito bem escrito e polido, assim como os diálogos e a química entre os personagens. Isso se deve ao elenco desse filme, que é maravilhoso e a dinâmica entre os dois irmãos Andy e Piper é apaixonante. A Laura é excelente e complexa, mesmo dentro de uma certa previsibilidade. Por fim, mas não menos importante o Ollie é a presença mais poderosa desse filme e definitivamente dispensa elogios.
BRING HER BACK, é uma experiência difícil, viceral, poderosa, intimidadora e impressionante. Arrisco dizer que é um terror que beira a perfeição. É corajoso, dramático e criativo, sendo o melhor terror do ano, sem sombra de dúvida.

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