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VALE TUDO: Por que Manuela Dias transformou uma das maiores produções da teledramaturgia brasileira em uma vergonhosa bagunça narrativa?

Na noite do dia 17 de Outubro de 2025, chegou ao fim a produção que prometia ser um grande fenômeno e reacender a chama da paixão nacional pela teledramaturgia

VALE TUDO (2025), dirigida pela autora baiana, Manuela Dias, foi o remake da telenovela de mesmo nome, criada e escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, que foi exibida originalmente entre 1988 e 1989.

Na noite do dia 17 de Outubro de 2025, chegou ao fim a produção que prometia ser um grande fenômeno e reacender a chama da paixão nacional pela teledramaturgia. O remake ou reboot de VALE TUDO passou longe de ser a unanimidade que marcou a primeira versão e a trama chegou ao fim com uma decepção inegável. Ficou nítido que a autora Manuela Dias, alguém que já demonstrou muito talento em trabalhos anteriores, se perdeu completamente na história, modificando o texto original de maneira desnecessária, deixando furos e negligenciando personagens e até mesmo o próprio elenco.

A maior indignação em relação a essa versão de Manuela Dias, é a forma como ela se esforçou ao máximo em sabotar e apagar de maneira covarde a Raquel, personagem de Taís Araújo, que de protagonista, passou a ser uma coadjuvante e  na reta final, mais parecia uma figurante no meio de toda a baderna que a trama se tornou. Ela seria a grande heroína da trama, que deveria contrapor com sua honradez as inúmeras falcatruas de Odete, Maria de Fátima e Marco Aurélio. Taís reclamou, em diversas oportunidades e em diferentes mídias, chamando atenção principalmente para o racismo estrutural escancarado que Manuela Dias demonstrou ter com a personagem, mas parece que as declarações da atriz só serviram de munição para a autora tornar a coisa ainda pior. Raquel, interpretada na versão original por Regina Duarte, foi transformada em pessoa intragável e chata, dona de um pensamento tão raso quanto um pires e com um direito à felicidade e/ou ascensão social quase nulo. 

É inegável que a versão original de 1988, permanece superior em absolutamente todos os quesitos em comparação ao suposto remake de Manuela. Maria de Fátima de Bella Campos, uma das principais personagens da trama, foi higienizada, talvez na tentativa de fazer a audiência gostar mais da personagem. O César foi transformado em um gigolô burro nada carismático e talvez isso se deva não só pela visível incompetência da autora, mas também da performance do não tão talentoso Cauã Reymond. O arco da família Roitman se tornou desinteressante, previsível, repetitivo e consequentemente cansativo.

No fim, a Odete Roitman de Débora Bloch foi a única coisa que não deixou que a novela se tornasse uma tragédia completa. E é nítido que a nova Odete só não foi outro fiasco, graças ao malabarismo de Débora em manter a altivez e presença forte da personagem, mesmo com um texto pobre, preguiçoso, com diálogos toscos, burros e incongruentes. Ah, além da nova Odete, outra coisa que parece ter mantido a novela até o fim, foi o excesso de merchandising. Esse exagero de conteúdo publicitário que incomodou muito a audiência, teve ótimos resultados para a TV Globo, que bateu o recorde histórico de faturamento na emissora. O maior esforço dessa trama parece ter sido conseguir chegar ao fim, com uma caminhada agonizante e arrastada até chegar ao insuficiente último capítulo. 

Com a milagrosa e não explicada “ressurreição” de Odete Roitman no último capítulo e os incontáveis furos de roteiro, a pergunta que vai permanecer sobre o fim vergonhoso do remake é: por qual razão Manuela Dias torturou e matou VALE TUDO?

A única certeza sobre o fim frio e bobo do fracasso narrativo da autora é o grande alívio para a audiência e para o elenco, especificamente para Taís Araújo.

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