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O Cavaleiro dos Sete Reinos – T1, EP05: O Dragão cai, o Cavaleiro se ergue

Mais uma grande perda para Duncan, mas seu maior tesouro continua ali, sendo seu escudeiro, muito mais valioso que qualquer outro Targaryen a quem pudesse conhecer

Com o príncipe Baelor inclinado a seu favor, tem início o Julgamento dos Sete. Seus companheiros avançam, mas Duncan permanece imóvel, paralisado. É seu escudeiro, o jovem príncipe Aegon, quem, aos gritos, o desperta do transe. Sir Duncan então galopa em direção a seu acusador, Aerion Chama-Viva, que, em sua fúria e arrogância habituais, mais uma vez revela o desprezo por seus votos de cavaleiro ao desferir um golpe traiçoeiro, derrubando seu oponente. A direção, aqui, opta por um corte abrupto e arriscado, interrompe a ação que vinha sendo cuidadosamente construída ao longo de dois episódios assim que Sir Duncan é lançando violentamente ao chão lamacento.

Somos transportados para alguns anos antes, a uma versão mais jovem de Duncan, saqueando o corpo de um soldado caído. É o fim da Rebelião Blackfyre. No flashback, anuncia-se a morte de Daemon Blackfyre, o Dragão Negro. A vingança póstuma de Aegon IV, o Indigno, falhou, mas deixara um rastro de destruição impossível de ignorar.

O quinto episódio revela a Baixada das Pulgas, em Porto Real, como jamais mostrada: em toda a sua crueza, escuridão, sujeira e ausência de misericórdia para com quem quer que seja. É a personificação da negligência da coroa para com seu povo mais miserável. Em suma, o flashback explicita que Duncan fora obrigado a ser forte durante toda a vida, afinal, ele nunca viveu de fato; apenas sobreviveu.

Abandonado pela mãe, perdeu sua única amiga até então, que era também sua única família. Como única saída para fugir da miséria da Baixada das Pulgas e daquela cidade, se viu obrigado a seguir a Sir Arlan, após ter a vida salva pelo cavaleiro. Sua partida de Porto Real sela o início de sua saga. Duncan existe para ser maior do que jamais seria capaz de imaginar. Eis o porquê de Sir Duncan se levantar tantas vezes da lama na arena deste combate: mesmo em seu limite, não há para ele outra opção senão sobreviver.

De todos os episódios lançados até agora, este é o mais direto, sem rodeios ou grandes metáforas. É também o mais brutal, o mais cru. Em termos de fotografia, é o que menos se preocupa em mostrar cores vivas, tudo é enevoado, opaco, escuro, soturno. Algo já sugerido no quarto episódio, mas que aqui se torna definitivo.

De volta ao julgamento, as imagens são frenéticas, num campo onde a visibilidade é turva, mas ainda assim suficiente para que o príncipe Maekar enxergue: após se levantar, Sor Duncan leva Aerion Chama-Viva, seu filho, para a lama, onde ambos se igualam. Em desespero, quase como quem clama por misericórdia por “seu garoto”, Maekar golpeia e derruba seus adversários, incluindo Baelor Quebra-Lanças, mas é impedido de alcançar o filho, apesar dos esforços.

Por um momento, Duncan, o Alto, parece morto. Seu acusador grita vitória. Mais uma vez, porém, Egg se mostra pilar para Duncan e, novamente aos gritos, ordena que seu cavaleiro se levante. Ele desperta, ergue-se, vence Aerion Chama-Viva, que se rende e retira todas as acusações diante de todas as testemunhas presentes.

Para alguém como Duncan que, desde sempre, fora ferido física e metaforicamente, levantar-se tantas vezes não é nada e ele se levantará quantas vezes forem necessárias. Duncan não tem treinamento adequado como os outros; suas técnicas são escassas. Ainda assim, ele vence ao perceber a fé que o povo deposita nele, ao ouvir seu nome gritado em incentivo, ao escutar mais uma vez seu escudeiro. O Julgamento dos Sete provou que, para alguém como Duncan, a morte não é opção para quem nunca teve uma vida digna, ele já morreu várias e várias vezes na Baixada das Pulgas. É por isso que vence o príncipe Chama-Viva.

A vitória é bela de se ver. O público vibra. Egg vibra. E nós, telespectadores, inevitavelmente, somos atingidos por essa euforia. Sir Duncan, o Alto, Cavaleiro dos Sete Reinos, começa a existir à partir dessa sofrida vitória. Mas estamos em Westeros, e nesse universo, definitivamente, não há finais felizes. A crueldade retorna logo após o combate na arena.

Sir Duncan, o Alto, de forma orgânica, demonstra pela milésima vez seu senso de honra diferenciado: sua primeira pergunta é se algum de seus companheiros morreu defendendo sua causa. E se mostra profundamente atingido ao saber que Beesbury e Hardyng pereceram em combate. Em seguida, vemos surgir Baelor. Sem tempo para lamentar, Duncan ajoelha-se diante de seu príncipe e oferece sua lealdade, em gratidão por tudo o que fora feito por ele. Baelor sorri, satisfeito, e reafirma as qualidades de Duncan ao dizer que o reino precisa de um homem exatamente como ele.

O príncipe pede ajuda para retirar o elmo. É avisado de que a peça está esmagada. A sequência trágica segue com um diálogo igualmente trágico:

“— O elmo está esmagado na parte de trás, vossa graça. Foi esmagado para dentro do gorjal.” — avisa o servo.

“— É a maça do meu irmão, Maekar, provavelmente. Ele é forte.” — responde o príncipe Quebra-Lanças.

O elmo é removido. Seu crânio está destruído. O príncipe cambaleia e desaba nos braços de Sir Duncan. Baelor Targaryen, Príncipe de Pedra do Dragão, Mão do Rei e Herdeiro do Trono de Ferro, está morto. O Dragão Sem Chamas jaz, depois de defender o que mais prezava: a honra. Mais uma grande perda para Duncan, mas seu maior tesouro continua ali, sendo seu escudeiro, muito mais valioso que qualquer outro Targaryen a quem pudesse conhecer.

Por fim, o próprio autor da obra original afirma algo interessante: a morte do príncipe Baelor Quebra-Lanças foi um sinal, marcando o começo da queda da dinastia Targaryen em Westeros, que chega um século depois.

Apesar do orçamento reduzido, a série tem apresentado um trabalho extremamente fiel, na medida do possível, fazendo parecer que as páginas saltaram do livro diretamente para a tela. O orçamento enxuto explica a ausência de cenas que mostrassem as habilidades de todos os presentes na arena, sobretudo Lyonel Baratheon, Maekar, Daeron e o próprio Baelor Targaryen. Porém, esse obstáculo orçamentário fez com que a direção explorasse a criatividade ao máximo. Mesmo com tais limitações, conseguiu entregar, sem sombra de dúvida, um dos melhores episódios não só do universo de Game of Thrones (superando com tranquilidade o superestimado “Batalha dos Bastardos”, nono episódio da sexta temporada da série original), mas também da história da televisão recente. 

NOTA 10/10

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