NOTAS COMUNICAÇÃO

Um bloco de notas informativo

Do pop ao R&B e metal, dos protestos contra a xenofobia, opressão cristã e neonazismo: quem é Rina Sawayama?

Conheça a trajetória da cantora

Por Gabriel Guarizi

Rina Sawayama é uma cantora, compositora, modelo e atriz nipo-britânica. Nasceu em 16 de agosto de 1990 em Niigata, Japão, onde morou até os cinco anos, quando sua família decidiu se mudar para Londres, Inglaterra, lugar onde foi criada. Em 2012, ela se formou em ciência política na universidade Magdalene College, em Cambridge. Durante seu tempo na instituição, decidiu seguir carreira na música e na modelagem.

Após lançar de maneira independente seu primeiro extended play, intitulado RINA, em 2017, ela assinou um contrato com a gravadora Dirty Hit, por meio da qual lançou seu primeiro álbum de estúdio, SAWAYAMA, em 2020 e o seu segundo e mais recente álbum Hold The Girl, em 2022. Todos os seus trabalhos atraíram elogios da crítica musical, mas com SAWAYAMA tendo um destaque e alcance muito maior, aparecendo em diversas listas de melhores álbuns no ano de seu lançamento.

É importante começar dizendo que é impossível separar a obra da artista quando falamos da discografia da Rina Sawayama, afinal a história e formação acadêmica dela é uma parte crucial da sua obra como artista. Nada de personagem. 

Compositora de todas as suas músicas e estando diretamente envolvida em todo processo de produção, chegando até mesmo a dirigir vários de seus videoclipes, a Rina é o epicentro de sua expressão enquanto artista. Como dito antes, sua formação acadêmica, carreira de modelagem e atuação fazem parte de sua jornada, mas o foco maior aqui será na sua marcante presença no cenário musical.

Para os formatos do que a cultura pop diz ser ideal para artistas femininas, a carreira da Rina Sawayama começou mais tarde do que o esperado, mas nada que impedisse seu sonho de ser cantora, que vem desde sua infância. Ela conta que cantava na sala de casa, fazendo shows particulares para os familiares e amigos. E como seus pais diziam que ela poderia se tornar uma cantora de sucesso. Assim, esse sonho atravessou toda sua infância e adolescência, chegando até mesmo a cantar em uma igreja que ficava próxima a sua escola no ensino médio.

foto: @rinasonline

Sua carreira começa, de fato, na universidade quando ela entra para um grupo de rap chamado Lazy Lion. Eles chegaram a fazer alguns shows pequenos em bares e casas underground de Londres, mas durou pouco tempo. Logo, a Rina sai em carreira solo e já chega de forma positiva e com boas críticas, apesar da própria dizer que não achou tão bom assim. Ela estreou com duas músicas em 2013, as faixas “WHO” e o single principal “Sleeping In Walking”. Nessa fase o R&B dos anos 80/90 foi claramente sua maior influência. A estética em preto e branco, com muita elegância até no som, curiosamente veio do remake de uma canção de ninar que ela escreveu quando tinha 18 anos. São em coisas simples como essa onde conseguimos começar a observar uma das maiores habilidades da Rina enquanto artista: transformar sonoridades diferentes em algo cada vez mais seu, trazendo uma personalidade única em tudo que toca. 

Um aspecto interessante sobre o processo criativo da Rina é o de fazer com que suas músicas se tornem chiclete, mas não da forma negativa, onde a música é feita unicamente para viralizar, saturar e ser esquecida pouco tempo depois, sabe? A estratégia da Rina é diferente, com foco nos refrões memoráveis, ritmos satisfatórios, viciantes e até incomuns às vezes. E isso ela alcançou no seu próximo single, intitulado “Tunnel Vision”, lançado em 2015. Durante toda a faixa, é a voz dela, quase como uma voz de consciência, refletindo sobre relacionamentos na era das redes sociais que rouba toda a atenção. Claro, falar sobre esse assunto é legal e essa conversa já existe há um bom tempo, mas é o jeito que ela traz esse sentimento à tona, com um vocal carregado de drama, que faz o ouvinte sentir toda a dor desse relacionamento. 

Rina Sawayama em Cyber Stockholm Syndrome 

Logo depois de deixar um sentimento de querer mais da arte dela, a Rina lança “Where U Are”, faixa que segue sendo uma das coisas mais interessantes e um de seus melhores trabalhos até hoje. A faixa vai além de um sample de “I Wanna Be Where You Are” do Michael Jackson, ela é uma versão completamente nova e sua, com novas letras, que se misturam com a original, onde funde pop, R&B e soul com uma guitarra de fundo que arrebata o coração. É uma faixa linda, que reflete mais uma vez sobre amor e internet, com uma personalidade mais forte, que soa unicamente como Rina Sawayama, mesmo que na época, em 2016, sua imagem enquanto artista não estivesse tão formada, mas não demoraria muito para termos uma resposta mais clara.

Algum tempo depois, em 2017, a Rina retorna com “Cyber Stockholm Sydrome” e um remix de “Tunnel Vision” no seu EP intitulado como RINA, que finalmente é lançado. Esse trabalho continua refletindo sobre o amor na era digital e evolução constante da tecnologia, o que rendeu o nome oficial do seu fandom, batizado de pixels. Mas seu EP também foca em questões políticas, como a falta de visibilidade de artistas asiáticos no cenário da música pop ocidental.

capa do extended play RINA de Rina Sawayama

No meio de tudo isso, muita gente questionou e questiona o porquê de seus trabalhos demorarem tanto para serem lançados, já que até então, quem conhecia e acompanhava sua carreira ainda nessa época, estava curtindo muito o que já tinha sido lançado e queria mais. Vale lembrar que essa é a realidade de um artista independente. A Rina passou alguns anos juntando dinheiro para conseguir gravar seus trabalhos e lançá-los oficialmente. 

Seu primeiro EP, fez valer a espera, já que seu conceito, estética, letras e sonoridade, conseguiram capturar a atenção da crítica especializada. Conseguiu muitos elogios do público geral e apareceu em listas de melhores lançamentos de 2016. E não é pra menos, porque ele realmente é muito bom! 

A faixa “Take Me as I Am” é o auge do pop, com uma pegada bem Max Martin, por exemplo. Já “Ordinary Superstar” é um comentário sobre o mercado de influencers que estava em crescimento na época e criava estrelas do dia para a noite. “Alterlife” traz guitarras, que aliás a própria Grimes mandou uma mensagem para a Rina dizendo como essa é, para ela, a melhor música pop já escrita. São os vocais dramáticos e arrebatadores de “Tunnel Vision”, o forte sintetizador em “10-20-40” e outras diversas características, técnicas e conceitos que fazem esse EP ser incrível do início ao fim.

E a pergunta que ficou foi: mas e agora, o que fazer depois de um EP tão bom e tão aclamado?

Durante dois anos após o lançamento, ela divulgou seu trabalho de forma incansável, promovendo o EP em turnês, chegando a abrir alguns espetáculos para Charli XCX, assinou um contrato com a gravadora Dirty Hit e enquanto tudo isso acontecia, ela já preparava o seu próximo trabalho, ou melhor dizendo, sua futura grande obra de arte, seu maravilhoso álbum de estreia intitulado SAWAYAMA.

O ano era 2019 e a Rina, com a sonoridade dos novos singles, pegou de surpresa até mesmo quem já acompanhava seus trabalhos anteriores. A nova era começou com “STFU!”, uma faixa de new metal. Isso mesmo, a Rina realmente lançou um new metal, quando estávamos todos acostumados com sua sonoridade de pop nostálgico e R&B, quebrando toda expectativa sobre como uma diva pop daquela época deveria ser. A faixa é inteiramente dedicada a falar sobre as vivências dela enquanto uma mulher japonesa, vivendo no Reino Unido, onde ouviu diversas falas xenofóbicas e misóginas ao longo da vida.

Rina Sawayama em Comme des Garçons (Like The Boys)

Existem sentimentos que só esse estilo de sonoridade mais agressiva é capaz de expressar e a Rina foi muito inteligente e perspicaz em usar isso, acompanhado de uma composição incrível e da estrutura pop já estabelecida por ela. Foi com esse primeiro single que todos acreditavam que o novo trabalho dela seria voltado para o rock. Bom, estávamos todos errados, porque logo depois, a cantora retorna com a faixa “Comme des Garçons (Like The Boys)”, que é o completo oposto de “STFU!”, sendo uma faixa totalmente dance music, com forte influência de Kylie Minogue e principalmente de Madonna. Podemos dizer que essa é a “VOGUE” da discografia da Rina Sawayama, já que a música grita passarela e trilha sonora de filmes como “O Diabo Veste Prada”. Aqui ela reflete em como a confiança feminina é lida como arrogância dentro da sociedade patriarcal em que vivemos, ao contrário da masculina, que é lida como um sinal de poder. E a nível de curiosidade, existe um remix dessa faixa com a Pabllo Vittar. Mais tarde as duas voltariam a se encontrar em “Follow Me”, single da drag brasileira que combina batidas dançantes da house music com elementos pop modernos e temáticas de passarela/club music.

Rina Sawayama e Pabllo Vittar em Follow Me

Como terceiro single, a Rina nos presenteou com “XS”, que apesar de não ter chocado tanto, não deixa de ser incrível e nem por isso não causou menos impacto. Aqui ela mistura a sonoridade do pop, R&B e rock, que dominavam os anos 2000 para falar sobre o consumo desenfreado incentivado pelo capitalismo selvagem. 

Logo em seguida ela lança “Chosen Family”, que vem como um respiro, sendo uma faixa mais tranquila. Vem também como uma homenagem à comunidade LGBTQIA+, ou à alguém próximo que é muito especial na sua vida. É, para esse que vos escreve, uma das músicas mais lindas já criadas. Essa música é a forma mais bonita que já ouvi alguém dizer que ama outra pessoa sem precisar dizer “eu te amo”.

Então finalmente, no dia 17 de abril de 2020, sob o selo da gravadora independente Dirty Hit, a Rina lança SAWAYAMA, seu primeiro álbum, a continuação direta do seu extended play RINA. E como os singles já sinalizavam, o álbum é um passeio por tudo que bombava no início dos anos 2000, onde o ouvinte consegue reconhecer as referências sonoras, mas não exatamente. É como se você sentisse que a melodia é muito familiar, mas não saber de qual música ela faz parte. A Rina bebe de tantas fontes que é impossível rastrear com exatidão a sua origem. Ela mistura estilos como Korn, Björk, Madonna, Britney Spears, Evanescence, BoA, David Bowie, Hikaru Utada e muito mais. Sua influência também vem de jogos, como na faixa “Snakeskin” inspirada por FINAL FANTASY e o álbum segue com o pop rock de arena em “Who’s Gonna Save U Now?”, o dance pop elegantíssimo de “Love Me 4 Me”, uma poderosa introdução de álbum com “DYNASTY” e o lamento de “Bad Friend” que traz a perspectiva de se sentir um péssimo amigo para alguém. O álbum é constituído de faixas bem diferentes umas das outras, mas que incrivelmente funcionam como uma obra única e harmoniosa.

capa do álbum SAWAYAMA de Rina Sawayama

Neste álbum, a Rina Sawayama usa de todos esses elementos citados ao longo do texto para compor sua história do seu jeito. É um álbum muito particular apesar de soar tão universal. Ela vai de refletir sua relação com a própria família, sobre o conceito de família como objeto de consumo, sua indentidade enquanto mulher japonesa, sobre autoestima, amor próprio e sobre ser alguém pansexual. 

A sensação que esse álbum passa, é a de que estamos ficando mais íntimos da artista, coisa rara na indústria pop, que tradicionalmente, coloca vários compositores em uma única faixa. A crítica recebeu o SAWAYAMA de braços abertos, sendo incluído em listas de melhores álbuns do ano, com notas de 89/100 no Metacritic e 7.7/10 na Pitchfork.

foto: @rinasonline

Apesar de toda comoção, reconhecimento da crítica especializada, do público e de outros artistas como Grimes, Elton John e Charli XCX, a Rina ainda viria a enfrentar um problema. Como dito no início, ela é uma mulher japonesa, mas apesar de viver há mais de 25 anos no Reino Unido, as grandes premiações do país como BRITs e Mercury Prize, por exemplo, não consideraram seu álbum “apto a concorrer”. Isso levou a uma grande discussão, com a hashtag #SawayamaIsBritish nos trending topics do antigo twitter e até mesmo a própria Rina vindo a público comentar sobre o assunto, onde ela disse demonstrou sua indignação com o absurdo que são essas regras:

“Estamos em 2020 e já é hora de corrermos atrás das injustiças das regras dessas premiações” – disse Rina em entrevista ao site GENIUS. 

A repercussão não só de seu álbum, mas dos protestos na mídia e redes sociais e da sua luta por reconhecimento como artista britânica foi tão notável, que fez com que a Mercury Prize mudasse suas regras, provando que seu impacto ultrapassa qualquer tipo de fronteira.

Rina Sawayama para a revista ELLE

Com o choque positivo de seu primeiro álbum, a Rina deixou, mais uma vez, seu público com uma fome por mais músicas, clipes e tudo que compõe sua arte. Foi então que dois anos depois do aclamado SAWAYAMA, fomos agraciados com seu segundo álbum de estúdio. Hold The Girl foi escrito e produzido durante a pandemia, no período do auge do isolamento social, onde a cantora se voltou para si. O resultado disso é uma obra que mistura ritmos nostálgicos do pop, e que fala, sobretudo, sobre reconciliação, tanto com familiares, quanto consigo mesma. Apesar de menos combativo do que SAWAYAMA, Hold The Girl também aborda as questões de identidade racial e como a saúde mental de jovens imigrantes, racializados, e/ou LBTQIA+ pode ser afetada por conta da religiosidade, do conservadorismo cristão e das expectativas inatingíveis.

capa do álbum Hold The Girl de Rina Sawayama

A primeira faixa do álbum, “Minor Feelings”, nasce de um livro da estadunidense Cathy Park Hong, filha de imigrantes coreanos. A obra de Hong é um espelho das experiências ásio-americanas, que reflete desde a sombra da racialização até os labirintos da saúde mental de um povo que habita bordas invisíveis. E, tal como no livro, a canção de Rina Sawayama introduz o tom de Hold The Girl ao mergulhar na ferida silenciosa do não-pertencimento, nas pequenas agressões que muitos imigrantes acolhem sem nomear, guardadas a sete chaves dentro de si. Na faixa, Rina canta que, por toda a vida, se sentiu deslocada e ainda assim sustentou a própria máscara. Até que todos esses sentimentos, como marés que retornam, voltaram para despedaçá-la de uma só vez.

Se sentir estrangeira no próprio ser e recolher a própria dor como um segredo sagrado são experiências que atravessam a alma humana. Mas é preciso reconhecer, que grupos minoritários bebem desse cálice com mais frequência, pressionados pelas expectativas familiares, pelo peso da cultura e pelo olhar da sociedade. Os dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças revelam que entre jovens ásio-americanos de 15 a 24 anos, a principal causa de morte é o suicídio. E, ainda assim, são os que menos estendem a mão em busca de ajuda quando a mente adoece. Na faixa que abre o disco, envolta numa melodia que quase respira, feita de vocais dramáticos, etéreos e espaços de silêncio, Rina coloca essa dor em perspectiva de quantos como ela acumulam microagressões ao longo de uma vida, guardando cada uma até que o corpo diga basta, até o esgotamento se tornar um grande abismo.

Rina Sawayama em Hold The Girl

Em seguida, chegamos à faixa que dá alma ao álbum: “Hold The Girl”. A canção já se anuncia pelo refrão, como um mantra que vem de dentro: segurar a garota. A letra, poética como um sonho acordado, pode ser lida como um gesto de retorno a si mesma. É aquela velha história, mas aqui contada como se fosse nova, de nos tornarmos, enfim, os adultos que um dia, quando pequenos, precisamos desesperadamente ter ao lado. Rina nos lembra, com doçura e ferocidade, que se reconciliar com quem somos nunca é uma jornada fácil. É aprender a honrar as expectativas que plantamos em nós mesmos, a respeitar os próprios limites, e a se perdoar. Ato tão simples e tão impossível ao mesmo tempo.

Rina Sawayama em This Hell

A terceira faixa é “This Hell”. A melodia dança como fogo de palha com o pop, rock e country se misturando numa celebração que ecoa os sucessos de Shania Twain, ABBA e uma estética caubói de sonho faroeste. Essa música é uma resposta lírica, quase uma prece invertida, principalmente aos cristãos conservadores que condenam os jovens LGBTQIA+ às chamas do inferno. Mas a crítica vai além disso, onde fere também os paparazzi, a superexposição, aos flashes que destroem pessoas como a princesa Diana, Britney Spears e Whitney Houston.

Depois o álbum desaba em outras canções frenéticas e dançantes como “Imagining”, “Frankenstein”, “Hurricanes” e “Your Age”. Com um ritmo hyperpop que ainda resgata referências dos anos 2000 e batidas distorcidas como espelhos quebrados, Rina investiga as geografias psicológicas do ser como a sobrecarga mental em um mundo que nunca cala, o impacto dos amores que envenenam, a ideia de monstruosidade e o desejo de ser mais do que um costurado de traumas.

Rina Sawayama em Frankenstein 

Vale lembrar: em 2020, Rina Sawayama, que se identifica como pansexual, assinou uma carta aberta ao parlamento britânico pedindo o fim da Terapia de Conversão. Em “Holy (til you let me go)”, a cantora desdobra essa luta em forma de arte, falando de como a religião pode virar algemas nas mãos de grupos cristãos e conservadores, oprimindo corpos racializados e almas LGBTQIA+, e de como a chamada culpa cristã adoece, destrói e mata os mais vulneráveis.

Se Hold The Girl começa guardando as emoções até que elas nos consumam por dentro, termina num sopro de luz, com “To Be Alive”. Na faixa, que exibe toda a potência vocal de Rina Sawayama, como um trovão contido por anos, a artista canta a primeira vez que se sente viva. Mesmo tendo atravessado desertos de insegurança e noites de esgotamento, agora ela sabe que nunca esteve tão viva. E nada melhor do que terminar o álbum tão íntimo e poderoso com a repetição da frase:

“Flowers still look pretty when they’re dying”

“As flores ainda são lindas, mesmo quando estão morrendo”

Ouvir Hold The Girl é quase uma sessão de terapia, daquelas em que a gente chora até a última lágrima, mas depois se perdoa, e algo vai cicatrizando com o tempo. E o mais importante é que ao fim, conseguimos nos reconciliar com nós mesmos. Tudo isso envolto num pop de excelência porque, no fundo, o processo de encontrar a si mesmo e se aceitar até pode ser doloroso, mas também muito divertido.

foto: @rinasonline

O fato é que Rina Sawayama é uma das melhores artistas que surgiu nos últimos anos. Ela consegue exemplificar como ninguém a cultura remix bem-feita. Cresceu ouvindo todo tipo de som na MTV, como toda criança dos anos 1990 e início dos anos 2000, mas faz seu trabalho soar como todos e como nenhum deles ao mesmo tempo. Ela crava sua individualidade nas músicas de uma forma que continuem extremamente pessoais, mesmo sendo pautas com que milhares de pessoas se identificam. Essa é uma das formas mais incríveis de fazer música pop: trazer o que o artista tem a passar enquanto mensagem e arte e, mesmo assim, dialogar com o grande público. E tá tudo bem em ter música com ou sem a tal mensagem no topo das paradas; afinal, a mensagem de uma música vai muito além do que está em suas composições. Mas é inegável que é incrível ver artistas como a Rina Sawayama escrevendo suas próprias histórias e se destacando de forma honesta na composição e na produção.

foto: Georgina Hurdsfield

E mesmo sofrendo boicotes por conta de seu forte posicionamento político e tendo sido colocada na “geladeira” da gravadora após trazer a público casos de racismo, xenofobia, misoginia e até mesmo neonazismo que ocorrem dentro da sua atual gravadora, Dirty Hit, a cantora segue trabalhando em seu terceiro álbum, que ainda não tem título e sobre o qual se sabe muito pouco, apenas que seu lançamento está previsto para algum momento entre 2026 e 2027. Com certeza, apesar de tudo, o caminho de Rina Sawayama ainda é brilhante.

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